Papo Cíclico: Estresse eleitoral-tecnológico é sintoma há pelo menos 16 anos
Primeira eleição permeada pelas redes no Brasil foi em 2010, na esteira do êxito digital que levou Obama à Casa Branca
(Este texto é um trecho da edição #1 da newsletter Palanque. A íntegra está disponível aqui)
Desde que as redes sociais capturaram a atenção do público, de 2010 para cá, eleições realizadas no Brasil são permeadas por discussões similares à que enfrentaremos este ano com a inteligência artificial.
É crônico o estresse eleitoral-tecnológico.
Quando Lula preparava Dilma Rousseff como sua sucessora ao Palácio do Planalto, 16 anos atrás, a preocupação com a internet já havia sido importada pela política brasileira após a recente chegada de Barack Obama à Casa Branca, nos Estados Unidos. A eleição do democrata foi revolucionária não só por transformá-lo no primeiro homem negro a comandar o Salão Oval, como também por ter sido influenciada pela internet — era a primeira vez que o fenômeno acontecia.
Doações on-line a Obama chegaram à casa do bilhão (de dólares) e apoiadores se organizaram pelo Facebook, pelo MySpace e pelo YouTube para derrotar a campanha do republicano John McCain. O efeito se espalhou pelo mundo, como frequentemente acontece com as tendências norte-americanas.
Nós, é claro, não ficamos de fora.
Brasileiros elegeram Dilma e preteriram José Serra em 2010, com um olho nas urnas e outro no Orkut e no Twitter (hoje, chamado de X). Foi justamente no microblog que a imagem árida da petista ganhou contornos bem-humorados graças ao alter-ego Dilma Bolada, uma criação do publicitário carioca Jeferson Monteiro — atualmente reforçando as fileiras digitais de Paes no Rio.
Em 2014, quando a então presidente disputou a reeleição contra Aécio Neves, do mesmo PSDB de Serra, o Facebook era o gadget da rodada. A partir das Jornadas de Junho, um ano antes, a plataforma de Mark Zuckerberg já era a principal caixa de ressonância da polarização que se tornaria arraigada na identidade nacional. Foi por meio dele, ainda, que o impeachment de Dilma ganhou clamor popular, em 2016.
Bolsonaro, hoje mimetizado em IA, foi gestado em conversas, grupos e disparos de WhatsApp, em 2018. Lula, antes de voltar ao poder em 2022, também mirou o “zap”. De quebra, ainda fez barulho no TikTok. Tudo sem sequer ter um smartphone para chamar de seu: o presidente, como se sabe em Brasília, não é afeito ao celular.
(Este texto é um trecho da edição #1 da newsletter Palanque. A íntegra está disponível aqui)


