Como a IA já se transforma em tática silenciosa nos bastidores das eleições 2026
Deepfake de Bolsonaro, sob análise da Justiça Eleitoral, é só a primeira controvérsia do pleito ligada à inteligência artificial; Palanque revela usos reais (e ocultos) das ferramentas
_PRÓLOGO
O que você vai ler nesta edição
Linha direta com o eleitor e ‘lab’ de ideias: como a IA será utilizada nas eleições 2026 (e o que o novo marqueteiro de Flávio Bolsonaro tem a ver com isso) • Óculos ultratecnológicos fazem a cabeça dos políticos • Não estamos sós: mais países já vivem experiências semelhantes • Brasil, em outros pleitos, também precisou lidar com o vai-e-vem tecnológico • Calendário dos debates eleitorais • Leituras úteis
“Não sou eu. Isso é uma simulação da minha imagem e da minha voz feita com inteligência artificial. Como todos sabem, estou preso (...)”.
Faltam exatos dois meses para o primeiro turno das eleições 2026 e a inteligência artificial já está no centro de um conflito que começou antes mesmo da campanha nas ruas, nas redes, na TV e no rádio.
O Partido Liberal (PL) lançou mão do recurso para que Jair Bolsonaro, mesmo em prisão domiciliar, estivesse representado no evento que marcou o lançamento da candidatura presidencial do filho dele, o senador Flávio, em 25 de julho.
O episódio adiantou o início do debate mais óbvio deste ciclo democrático: qual deve ser o limite da utilização da IA na escolha de deputados, senadores e presidente?
Ainda longe da resposta que a sociedade brasileira vai endereçar a essa pergunta, a primeira edição de Palanque inclui informações exclusivas sobre o tema, apuradas ao longo dos últimos cinco meses.
Abaixo, você descobre as formas criativas (e ousadas) por meio das quais a IA será utilizada nas campanhas deste ano, com destaque para táticas de bastidores muito menos estridentes do que a “aparição” de Bolsonaro no evento do PL em São Paulo.
É a primeira vez em que eu, João Paulo Saconi, convido você a subir no palanque comigo. Fique à vontade!
_PANFLETAGEM GENERATIVA
Nem mesmo as cores da gravata de um político ou do vestido de uma política passam desapercebidas pela avaliação dos experts em marketing político e digital.
São eles que, a cada ciclo eleitoral, escolhem da paleta do guarda-roupa até o dicionário de respostas que os candidatos e candidatas carregam consigo para sabatinas, debates e demais agendas públicas. Propagandas na internet, na TV e no rádio, naturalmente, também são criadas do zero por profissionais da área. Os nomes mais geniais cobram muito e contam com outros cérebros brilhantes a seu favor.
Em 2026, marqueteiros e marqueteiras vão trabalhar com a mente expandida pela IA.
Será a primeira vez que um pleito brasileiro terá ferramentas do tipo atuando de forma vital, expressiva e contínua aos responsáveis pelas campanhas. As aplicações de maior impacto, no entanto, estão longe de serem tão nítidas ao público quanto a projeção de uma figura carismática da política numa convenção como a do PL.
O uso ostensivo e estratégico da IA é silencioso e acontece no backstage das candidaturas. É o que ouço desde março, quando comecei a assuntar a respeito.
Um dos primeiros diálogos a respeito foi com Duda Lima, que acaba de assumir o comando da campanha de Flávio Bolsonaro. Conversamos durante a Brazil Conference, maior conferência de estudantes brasileiros fora do país, realizada em Harvard. Naquele momento, eu ainda estava no mestrado da Columbia Journalism School, onde me formei em maio. Duda, por sua vez, trabalhava como consultor e não planejava assumir a campanha do “Zero Um”.
Aquela conversa, disponível on-line, somou-se a uma entrevista por telefone que indica a existência de um kit múltiplo de ferramentas a serem utilizadas por Lima e por outras campanhas este ano. Isso porque o (agora) marqueteiro de Flávio rodou o mundo atrás de novas tecnologias que o ajudassem a aproximar candidatos e eleitores — as inspirações, portanto, estão à disposição de outros profissionais da área.
A empreitada de Lima começou depois de ele quase perder as eleições 2024 à Prefeitura de São Paulo para o multimidiático Pablo Marçal (e o uso que ele fazia do Discord, ferramenta de conteúdos audiovisuais). Lima atuava para reeleger Ricardo Nunes, do MDB, e chegou a ser agredido por um funcionário de Marçal à época.
Daquela experiência e da tour por outros países, Lima tirou processos que aglutinam diversas ferramentas de IA. Das que estamos acostumados a usar (ChatGPT, Gemini e Claude, por exemplo) a outras mais sofisticadas. A combinação fica guardada com o marqueteiro e faz parte do portfólio de trabalho dele. Se será utilizada a favor de Flávio, descobriremos nos próximos meses. Tudo indica que sim.
Entenda o que realmente importa.
À plateia em Harvard, quatro meses atrás, Lima descreveu o que viria a ser um uso massificado das engrenagens de machine learning. Ela funcionaria em etapas, numa relação dialógica com o eleitor ou a eleitora.
Primeiro, o cidadão ou a cidadã estabeleceria um primeiro contato com um candidato ou candidata, por meio de uma plataforma comandada pela campanha. Ao serviço, enviaria um vídeo curto, de poucos segundos, informando seu nome e dados adicionais — como, por exemplo, sua principal preocupação ao decidir em quem votar este ano. Num intervalo de tempo também diminuto, a resposta chegaria. Em vídeo. Com o candidato ou a candidata cumprimentando o interlocutor ou a interlocutora pelo nome, e enviando uma devolutiva sobre o anseio daquela pessoa.
Só que candidatos e candidatas não têm tempo para gravar vídeos. Vide ACM Neto, ex-prefeito de Salvador e vice-presidente do União Brasil. Ele tem sido criticado por opositores depois de usar IA para aparecer ao lado de aliados, em vez de gravar vídeos individuais ao lado de cada um deles. A mesma lógica artificial guia as respostas enviadas aos eleitores e eleitoras impactados pela estratégia de Duda Lima.
O (agora) marqueteiro de Flávio vai além. Em março, ele planejava uma espécie de “laboratório” para conteúdos das candidaturas produzidos para as redes sociais e para o horário eleitoral. O plano é testar previamente as reações da audiência.
Como? No caso das redes, graças a uma ferramenta de IA abastecida com centenas de milhares de dados reais que indicam como a base de apoio da figura política reage, em geral, às publicações dela. São curtidas, comentários e compartilhamentos reais, que foram de fato depositados nas plataformas, sendo escaneados por um sistema de predições. O padrão de comportamento deste grupo engajado é utilizado como base para simular a recepção de um conteúdo-teste. Resultado negativo? A ordem é ajustar. Positivo? É o momento, então, de trazer a publicação ao mundo real.
Na prática, a tecnologia cria lados A e B da personalidade digital de um candidato — como um disco de vinil. Somente um dos lados, porém, está ao alcance do público. O ecossistema oculto subsidia o que fica aparente, enquanto aquilo que acessamos é o quociente de uma complexa equação conduzida pelo marqueteiro, equipe e robôs.
O mesmo método pode ser aplicado às propagandas de TV e rádio, que começam no próximo dia 28 de agosto.
Antes, os clipes eram analisados em discussões com eleitores de carne e osso, reunidos em grupos focais para a realização de pesquisas de opinião qualitativas. O processo acontecia dentro da chamada “sala de espelho”. Nela, o marqueteiro — e, às vezes, o próprio candidato ou candidata — consegue monitorar, fora do campo de visão, conversas sobre temas centrais da campanha, planos de governo, discursos e peças publicitárias. Tudo custava caro.
Agora, a IA e suas análises preditivas vão poder ditar os rumos do que assistiremos na TV e ouviremos no rádio. As opiniões das ferramentas vão ter como base os recortes de raça, gênero, idade, classe, profissão e outras variáveis do Brasil.
Se vai funcionar? Descobriremos juntos, em cima do palanque. Hoje, de acordo com o Datafolha, 84% do país já assume conhecer ou ter ouvido falar sobre inteligência artificial. Somente 30%, no entanto, sente-se realmente bem informado a respeito. Logo, o risco de disseminação de fake news e desinformação está à espreita, mais uma vez.
_PROMPT PARTICULAR
O político que você escolheu para amar (ou odiar) usa óculos? Desconfie. Ele pode estar usando o acessório para turbinar o próprio desempenho com inteligência artificial. E, não, o apetrecho que anda circulando entre a classe não é o Meta Glasses — à essa altura, praticamente um velho conhecido de quem consome devices do tipo.
A nova moda que acompanha o colarinho branco se chama Even Realities: um par de óculos cujo objetivo é “impulsionar conversas que importam”. E como o produto fabricado na China tenta entregar o que promete? Com muita, muita IA.
Os óculos são capazes de ouvir junto com o usuário. Assim, entregam a ele por meio das lentes, sem que ninguém mais veja, textos que vão desde notas curtas (como sugestões sobre como continuar uma conversa) até textos longos — assumindo a função de um teleprompter. A própria marca vende os óculos como uma “alternativa moderna” ao TP utilizado por políticos.
Como “exibe o texto diretamente no campo de visão do usuário”, a ferramenta “proporciona liberdade de movimento, mantém o contato visual natural e dá ao orador controle absoluto”.
Óculos integrado com IA é o “futuro da oratória” para políticos, diz a Even
Seria a solução, por exemplo, para Donald Trump e a relação conturbada dele com TPs. No ano passado, o presidente americano enfrentou problemas com um aparelho do tipo durante a Assembleia Geral da ONU em Nova York. “Eu só posso dizer que quem está operando este teleprompter está em apuros”, ironizou na ocasião. Na semana passada, o responsável por lidar com o TP da própria Casa Branca, em Washington, foi demitido sob a suspeita de lucrar milhares de dólares com informações privilegiadas sobre os discursos presidenciais.
Óculos e IA evitariam os reveses trumpistas.
Modelos da Even Realities também têm capacidade de traduzir simultaneamente papos em diversos idiomas e podem ser operados discretamente, por meio de um anel. Como os óculos analógicos, eles também fazem correção de grau. Estão à venda por valores que vão de R$8 mil a R$ 10 mil no Brasil, onde ainda são pouco populares. No Instagram, mais de 255 mil pessoas seguem a marca. Uma delas é Eduardo Paes, que deixou a Prefeitura do Rio de Janeiro para concorrer a governador (veja abaixo).
_PANGEIA CIBERNÉTICA
Quaisquer que sejam os usos inventivos da IA na política brasileira (dos vídeos ao laboratório, sem esquecer dos óculos) ou os resultados das eleições 2026, a influência robotizada no pleito já o aproxima de votações em nações recém-conectadas pelo mesmo impasse.
Antes de ser derrotado na Hungria em abril, depois de 16 anos no poder, Viktor Orbán fez circular um deepfake contra Péter Magyar, adversário que virou premier.
Criadas pelo Fidesz, partido de Orbán, as imagens falsas mostravam um soldado húngaro sendo executado na guerra entre a Rússia e a Ucrânia, enquanto sua filha o esperava em casa. A mensagem era de que, se eleito para a cadeira de Orbán, Magyar teria a intenção de mergulhar o país naquele conflito evitado até então. O movimento não virou realidade até hoje, três meses depois. Lá atrás, no entanto, foi especulado via IA para tentar descredibilizar a candidatura de Magyar.
Zohran Mamdani, o Democrata eleito prefeito de Nova York no ano passado, superou uma campanha semelhante para se eleger. No Halloween que antecedeu a eleição na cidade, Mamdani ganhou uma versão sua feita por IA graças à campanha do adversário Andrew Cuomo, ex-governador do estado de NY e seu colega de partido. No clipe intitulado “A Zohran Halloween”, Mamdani roubava doces (de “gostosuras ou travessuras”) dos nova-iorquinos: um reflexo de sua ideologia socialista (assista abaixo).
Na Colômbia, uma candidata gerada por inteligência artificial tentou conquistar vagas na Câmara dos Representantes e no Senado em março deste ano. Batizada de Gaitana IA, a figura tinha a aparência inspirada no blockbuster “Avatar” (2009). Ela foi criada por um engenheiro mecatrônico e um antropólogo. O objetivo dos dois era representar mais de 10 mil pessoas que compartilhavam suas posições políticas por meio da ferramenta. Se Gaitana fosse eleita, seus criadores se tornariam autoridades com poder de introduzir os pensamentos sintetizados pela IA no processo legislativo.
Ao promover eleições neste ano, em abril, o Peru estimulou um “Pacto Ético Electoral” entre seus partidos políticos, a fim de que eles se autorregulassem e evitassem a disseminação de desinformação e o uso de ferramentas de IA.
_PAPO CÍCLICO
Desde que as redes sociais capturaram a atenção do público, de 2010 para cá, eleições realizadas no Brasil são permeadas por discussões similares à que enfrentaremos este ano com a inteligência artificial.
É crônico o estresse eleitoral-tecnológico.
Quando Lula preparava Dilma Rousseff como sua sucessora ao Palácio do Planalto, 16 anos atrás, a preocupação com a internet já havia sido importada pela política brasileira após a recente chegada de Barack Obama à Casa Branca, nos Estados Unidos. A eleição do democrata foi revolucionária não só por transformá-lo no primeiro homem negro a comandar o Salão Oval, como também por ter sido influenciada pela internet — era a primeira vez que o fenômeno acontecia.
Doações on-line a Obama chegaram à casa do bilhão (de dólares) e apoiadores se organizaram pelo Facebook, pelo MySpace e pelo YouTube para derrotar a campanha do republicano John McCain. O efeito se espalhou pelo mundo, como frequentemente acontece com as tendências norte-americanas.
Nós, é claro, não ficamos de fora.
Brasileiros elegeram Dilma e preteriram José Serra em 2010, com um olho nas urnas e outro no Orkut e no Twitter (hoje, chamado de X). Foi justamente no microblog que a imagem árida da petista ganhou contornos bem-humorados graças ao alter-ego Dilma Bolada, uma criação do publicitário carioca Jeferson Monteiro — atualmente reforçando as fileiras digitais de Paes no Rio.
Em 2014, quando a então presidente disputou a reeleição contra Aécio Neves, do mesmo PSDB de Serra, o Facebook era o gadget da rodada. A partir das Jornadas de Junho, um ano antes, a plataforma de Mark Zuckerberg já era a principal caixa de ressonância da polarização que se tornaria arraigada na identidade nacional. Foi por meio dele, ainda, que o impeachment de Dilma ganhou clamor popular, em 2016.
Bolsonaro, hoje mimetizado em IA, foi gestado em conversas, grupos e disparos de WhatsApp, em 2018. Lula, antes de voltar ao poder em 2022, também mirou o “zap”. De quebra, ainda fez barulho no TikTok. Tudo sem sequer ter um smartphone para chamar de seu: o presidente, como se sabe em Brasília, não é afeito ao celular.
_PROIBIDO ROBOTIZAR
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já tem definidas as regras para o uso da inteligência artificial nas eleições 2026. As ferramentas são lícitas, em geral.
Há, porém, uma proibição ao uso “para prejudicar ou para favorecer candidatura, de conteúdo sintético em formato de áudio, vídeo ou combinação de ambos, que tenha sido gerado ou manipulado digitalmente, ainda que mediante autorização, para criar, substituir ou alterar imagem ou voz de pessoa viva, falecida ou fictícia (deepfake)”.
Provocada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) de Lula, a Corte vai avaliar se a projeção de Bolsonaro no evento de Flávio configurou violação. Na semana passada, Kassio Nunes Marques, ministro indicado ao topo do Judiciário por Bolsonaro, afirmou à jornalista Carolina Brígido, do Estadão, que “usar IA para fazer campanha é lícito, o que não pode é usar para prejudicar alguém”. Ele preside o TSE.
_PONTEIRO
Ajuste o seu e não perca o timing eleitoral
_A campanha começa oficialmente no próximo dia 16 de agosto — trata-se do período no qual é permitido aos candidatos e candidatas pedir votos abertamente.
_Acaba no dia 20 de agosto o prazo para solicitar voto em trânsito, caso você vá estar numa cidade diferente daquela que é o seu domicílio eleitoral.
_No dia 23 de agosto, está prevista a realização do primeiro debate presidencial na TV, tradicionalmente produzido pela TV Band (neste ano, em pool com TV Cultura, TV Gazeta e Jovem Pan).
_Os debates mais relevantes da temporada, realizados pela TV Globo, acontecem de acordo com o calendário a seguir, em primeira mão para os leitores de Palanque:
Governadores (antes do primeiro turno): 29 de setembro
Presidenciáveis (antes do primeiro turno): 1º de outubro
Governadores (antes do segundo turno, se houver): 22 de outubro
Presidenciáveis (antes do segundo turno, se houver): 23 de outubro
Mais datas imprescindíveis vão constar nas edições futuras da newsletter, conforme a eleição for se aproximando.
_PRATELEIRA
Tire daqui mais leituras interessantes
_Luciano Hang, dono da Havan, é a figura brasileira que mais abre processos contra jornalistas e comunicadores no Brasil, de acordo com a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). São 55 casos abertos desde 2014, diversos com vitória para o empresário — o êxito é maior quando a tramitação acontece em Brusque, no interior de Santa Catarina, onde ele exerce influência.
A repórter Adriana Gonçalves Ribeiro e eu nos aprofundamos nesta história entre fevereiro e junho deste ano, graças ao apoio da Repórteres Sem Fronteiras (RsF). O resultado está no ar pelo The Intercept Brasil. Sou suspeito, mas recomendo.
_Paulo Motoryn, jornalista que assina um dos principais furos do ano até aqui (as conexões financeiras entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, do Master), acaba de estrear uma newsletter também. Ela se chama Noites Húngaras e também incluirá uma cobertura especial das eleições 2026. Paulo deixou o Intercept para tocar o projeto — por lá, ele tocava a ‘Cartas Marcadas’, uma das newsletters mais conhecidas do país. O texto em que ele explica a decisão discute o futuro do jornalismo brasileiro de maneira contundente. Subscrevo, aliás.
_Antônio Mariano, cientista político e jornalista, assina em espanhol no portal Diálogo Político um artigo que, além de Flávio, foca nas outras figuras da direita brasileira que estão na fila para as eleições de outubro. São elas: Ronaldo Caiado, do PSD; Romeu Zema, do Novo, e Renan Santos, do Missão. Objetivo e necessário.
_PALANQUE é uma newsletter dedicada às eleições de 2026, assinada pelo repórter independente João Paulo Saconi (autor de ‘Vocês da Imprensa’) e editada pela jornalista Julia Moreira de Fraga, que também assina a newsletter de curadoria The Cool Hunch. O conteúdo também está em posts no Instagram e no TikTok.






