(Este texto é um trecho da edição #3 da newsletter Palanque. A íntegra está disponível aqui)
“Tudo de importante fica no seu colo! Impressionante! Mas seu legado pro Brasil será eterno. Tenho muito orgulho e tenho certeza que cada vez mais se consolidará como a pessoa mais importante do país”. De: Daniel Vorcaro. Para: Alexandre de Moraes. 30 de out. de 2025.
Na frase acima, Vorcaro não mentiu. Muitos trâmites importantes para o Judiciário brasileiro contemporâneo, de fato, ficaram no colo de Moraes. Os itens se multiplicaram em nove anos, desde que ele foi indicado ao STF por Michel Temer.
A lista é longa, de 2017 até aqui. Inclui o mencionado Inquérito das Fake News, que começou para apurar a desinformação nas eleições de 2018 e nunca mais parou — acabou, inclusive, interpolado com a CPI da Covid no Congresso. Houve a censura de uma matéria da revista Cruzoé sobre o ministro Dias Toffoli. Também a suspensão temporária do X (antigo Twitter), em meio a uma rixa internacional com Elon Musk e, mais tarde, com o governo Donald Trump e sua Lei Magnitsky.
Canetadas referentes a vários políticos foram ainda distribuídas por Moraes. Jair Bolsonaro, sem dúvidas, foi o mais relevante deles. O ex-presidente está preso, após ter sido condenado — sob relatoria de Moraes — a 27 anos e três meses de pena.
Vorcaro também não errou quando disse que Moraes se consolidaria como a pessoa mais importante do país. A posse dele como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2022, ajudou a criar essa imagem.
Em torno de si (e da defesa da democracia como causa), naquela ocasião, Moraes reuniu quase todos os ex-presidentes da República vivos — Fernando Henrique Cardoso foi a exceção, por motivos de saúde. Demais autoridades também estavam presentes para ouvir o ministro falar sobre o Estado, os direitos, as liberdades e a importância de “um ambiente de total visibilidade” (veja a íntegra do discurso).
Falíveis, as verdades de Vorcaro sobre Moraes vacilaram num ponto específico: a “eternidade” do legado do ministro. A exposição das entranhas do Caso Master arrisca a imagem do Supremo, mas também o acervo em que “Xandão” tocou.
(Este texto é um trecho da edição #3 da newsletter Palanque. A íntegra está disponível aqui)




