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Fato político relevante do segundo turno eleitoral no Brasil até aqui, as manifestações de rua a favor de Lula (PT) vão ganhar ecos no exterior a partir desta semana.
Estão marcados para o próximo domingo, 18 de outubro, pelo menos dois atos de brasileiros radicados nos Estados Unidos e posicionados à esquerda neste pleito. Eles estão sendo organizados por coletivos feministas das costas leste (em Nova York) e oeste (em San Francisco, na Califórnia) do território americano. Serão as primeiras iniciativas a emular internacionalmente a mobilização lulista nas cidades brasileiras.
Assim como vem acontecendo no movimento original, esses protestos no exterior adotam o mote “pró-democracia”, na contramão de uma possível eleição de Flávio Bolsonaro (PL). No caso americano, há uma segunda camada de simbolismo, já que o clã bolsonarista é aliado de primeira hora do presidente do país, Donald Trump. A campanha de Flávio também tem atos marcados no Brasil para o fim de semana: são os chamados “bloquinhos”, capitaneados pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).
Não há consenso na ciência política sobre o efeito das manifestações no resultado da votação do próximo dia 25 de outubro. Estudiosos do campo ouvidos pela repórter Rafaela Gama, do Jornal O Globo, descrevem uma transformação da agenda do segundo turno (com o foco migrando de Flávio para Lula). Há quem opine, entre esses mesmos pesquisadores, que o discurso dos eventos fica restrito a cada bolha política.
O principal impacto a ser observado nas próximas duas semanas é relativo à abstenção — isto é, o eleitorado ausente das urnas. Mais de 33 milhões de brasileiros não foram votar no último dia 4 de outubro, o equivalente a 21% do eleitorado.
Entre as razões para as faltas, de acordo com o Datafolha, as três maiores foram as viagens (19%); os problemas de saúde (18%) e o desinteresse no pleito (13%). É essa última parcela que a militância pró-PT pretende atrair com as manifestações.
Também há casos de pessoas que relataram ao instituto que deixaram de participar do primeiro turno porque estavam trabalhando (9%) ou porque não tinham documentos (7%). É papel do jornalismo reforçar: não é preciso portar título de eleitor para votar. Basta apenas comparecer na seção eleitoral e mostrar documento válido com foto.
_POLÍCIA MIGRATÓRIA
Para os eleitores radicados nos EUA, a rígida política de imigração do governo Trump é um fator provável de afastamento entre os brasileiros e as urnas. Mayara Paixão, correspondente da “Folha de S.Paulo” em Nova York, escreveu sobre o aumento da abstenção em território americano. A taxa de ausências, tradicionalmente elevada no exterior, foi de 63,3% em 2022. No primeiro turno deste ano chegou a 71,5%.
Para tentar alterar esse cenário, há uma mobilização secundária entre brasileiros mobilizados a favor de Lula na terra de Trump — também monitorada pelo Palanque, em diálogos com pessoas envolvidas. Ela ocorre em paralelo à organização das manifestações, mas de forma discreta: o objetivo é proteger os eleitores imigrantes.
Um grupo de brasileiros tem acenado para quem “não estiver legalizado e deixou de votar por medo do ICE (a polícia migratória dos EUA)”. Eles afirmam que vão “formar grupos de escudo para essas pessoas poderem votar”. Os detalhes da estratégia, naturalmente, ficam restritos a quem integra a movimentação.
Ainda em Nova York, conforme também informaram Mayara Paixão e a “Folha”, o temor do ICE influenciou até a escolha do local de votação deste ano.
O Consulado-Geral do Brasil em NY selecionou uma instituição de ensino no Queens para agregar os eleitores do próprio estado e também de Nova Jersey e Filadélfia, pertencentes à mesma “jurisdição diplomática”. O ICE não tem autorização legal para entrar no espaço, que é grande o suficiente para comportar eventuais filas de eleitores.
Em Miami, sob o mesmo contexto de desconfiança, um brasileiro foi preso por se apropriar do ICE para tentar amedontrar eleitores. Ele estava indevidamente vestido como um agente da corporação. Antes disso, segundo depoimento, o homem vestia a camisa da Seleção Brasileira. A abstenção naquele posto consular foi de 69,4%.
_PASSAGEIRO POLÍTICO
Outra forma de mobilização no exterior identificada pela newsletter inclui as caronas solidárias. O formato de Nova York, que concentra eleitores de outros estados americanos, é replicado em outros países do mundo onde há brasileiros aptos a votar: são 918,8 mil, de acordo com dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Numa tentativa de garantir que todos os apoiadores de Lula cheguem até os locais de votação, apesar da distância, o terceiro setor criou uma dinâmica de “matches” entre motoristas e caroneiros. “Mora no exterior e quer se organizar para votar no Lula? Entre em contato com a gente!”, diz a campanha da Fibra Internacional, descrita como “uma rede de coletivos e indivíduos progressistas a favor da democracia no Brasil”.
As publicações do grupo englobam países como França, Noruega, Suíça, Alemanha, Itália, Japão, Irlanda, Chile, Canadá, México, Colômbia, Austrália, Portugal, Uruguai, Finlândia e Espanha, além dos Estados Unidos.
_PRATELEIRA
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